Apontamentos sobre política, economia, educação, sociedade e outros, com afirmações contraditórias, ou não, a que a razão chega quando se pretende determinar a natureza da sociedade que temos e onde vivemos.
publicado por M. Rodrigues | Sábado, 28 Maio , 2011, 22:41

Afinal o que é que a política tem a ver com a culinária?

Vejamos! Na culinária são utilizados ingredientes e condimentos de para a obtenção dos paladares mais diversificados para que os nosso anfitriões, ou clientes se for  um restaurante, recordem e fiquem satisfeitos. Na nova culinária  experimentam-se, reformulam-se e combinam-se ingredientes para resultarem em novos sabores e experiências gastronómicas.

 

Na política também são utilizados e misturados ingredientes (palavras, chavões, frases feitas) para atraírem clientelas para os  pratos prometidos durante as campanhas eleitorais.

Assim como há cozinheiros muito hábeis e inovadores na criação de receitas, há também alguns políticos que sabem manipular e combinar ingredientes e condimentos  para os seus potenciais clientes,  alguns deles já sem paladar. Acabam afinal por consumir o que está na ementa que se mantém  há  meses ou anos. Quando assim é o melhor é mudar de restaurante. O que faríamos se uns nossos amigos nos convidassem para jantar num restaurante onde já tínhamos estado anteriormente onde, para além da comida mal confecionada apanhámos uma intoxicação? Provavelmente declinávamos diplomaticamente o convite  e sugeríamos a escolha de outro local para o nosso jantar.

 

 

Já agora uma receita

 

 

A culinária também tem aqui o seu espaço, visto ser uma transversalidade cultural: atravessa várias sociedades e culturase e, atravessando a história é também longitudinal. Um dos meus hobbies, para além de investigar e escrever umas coisas, é cozinhar e experimentar receitas, alterando umas inventando outras.

Existem imensas formas de confecionar bifes. Um dia coloquei-me a seguinte questão: será que os morangos darão para acompanhar carne? Resolvi experimentar. Assim, vou sugerir-lhes  bifes da vazia com molho de morangos para duas pessoas. É possível utilizar outro tipo de carne desde que seja macia.

 

Partilha gastronómica: bife da vazia com molho de morangos

 

 

 

Ingredientes:

  

2 bifes da vazia ou outra carne

 

200 g de morangos

 

1 cebola pequena

 

1 dente de alho

 

Azeite q. b.

 

1 Colher de manteiga

 

1/4 de natas

 

1 Cálice de vinho do Porto

 

Folhas de manjericão fresco q.b.

 

Sal q.b.

 

Pimenta q. b.

 

1 Colher chá de sumo de limão

 

  

Confeção:

 

Pique a cebola

 

Pique o dente de alho

 

Lave os morangos e tire-lhe o pedúnculo e corte-os em pedaços

 

Leve ao lume a cebola e os alhos a refogar com o azeite até a cebola ficar transparente.

 

Refresque com  o vinho.

 

Junte os morangos.

 

Deixe ferver até os morangos estarem moles.

 

Dei-te num copo de varinha mágica, junte as folhas de manjericão  e triture até ficar tudo liquefeito e reserve.

 

Frite lentamente os bifes num pouco na manteiga sem ficarem demasiado passado. Tome atenção que os bifes da vazia se perdem muita água ficam secos.

 

Retires os bifes e tape para não arrefecerem.

 

Deite na frigideira o preparado do molho liquefeito e deixe ferver em lume brando.

 

Junte depois as natas e mexa lentamente.

 

Retifique o sal e a pimenta.

 

Prove. Se estiver muito ácido deite um pouco de açúcar, se extiver adocicado deite uma gotas de limão.

 

Coloque os bifes nos pratos de ir à mesa e cubra com o  olhos de morangos sobre parte dos bifes e salpique os lodos prato.

 

Acompanhe com batatas recheadas com queijo creme e assadas no forno ou com vegetais salteados.

 

Assine com um morango e uma folha de manjericão.

 

 

 


publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 22:04

Durante o longo mandato de Margaret Tatcher à frente da Grã-Bretanha (1979 a 1990)oincidência a OPEP subiu 50% o preço do barril do petróleo face ao ano anterior, após o primeiro choque petrolífero de 1973. Segundo analistas da política e da economia o seu mandato conduziu o país a um descalabro e o povo ao desemprego e à pobreza.  

 

Com as políticas  governamentais que foram tomadas a produção industrial diminuiu trazendo consigo o  incremento do desemprego que aumentou três vezes mais desde que foi eleita.  As falências e o fecho de empresas aumentaram  devido à austeridade ao mesmo tempo que a inflação aumentava, contrariamente ao que inicialmente se pretendia, conduzindo a economia do Reino Unido em 1981 a uma profunda recessão.  As políticas do governo  durante os anos 80 e parte de 90 tenderam a beneficiar os membros mais abastados da sociedade acentuando as privações dos mais desfavorecidos.

O pretexto que servia de justificação as medidas então tomadas eram os factores relacionados com políticas do governo para a revitalização da economia. Os direitos da  "Employement Protection Act", (Lei de Protecção do Emprego), foram reduzidos e paralelamente procedia-se à redução dos salários dos trabalhadores e à privatização da indústria anteriormente nacionalizada.

As teorias que apoiavam as medidas da primeira ministra Tatcher assentavam no princípio da redução da taxa de imposto sobre os rendimentos dos indivíduos e das empresas que seriam factores de crescimento económico que, por sua vez, iriam gerar crescimento económico possibilitando fluxos de financeiros para os mais pobres. A redução de impostos eram vistos como indispensáveis para a promoção de investimentos produtivos, para a criação de mais empregos e mais prosperidade.

Como consequência daquela governação, na década de oitenta, o fosso entre os membros mais ricos e mais pobres da sociedade aumentou de forma drástica. A Grã-Bretanha encontrava-se em segundo lugar  na tabela dos países  industrializados, apresentando entre 1977 e 1990 o crescimento mais profundo de desigualdade económica. Esta situação foi-se alterando para melhor entre 1999 e 2003 de acordo com as estatísticas das desigualdades sociais sobre o trabalho, educação, saúde e rendimentos (http://www.statistics.gov.uk/hub).

 A falha da teoria em que assentava a política da Srª Tatcher foi também sustentada na prática por sete anos de governo na Alemanha em que os sete anos de governo "social-democrata" de Gerhard Schröder entre 1998 e 2005 se caracterizou por ser um período de maior isenção de impostos a grandes empresas, o que conduziu a um aumento do desemprego que chegou  oficialmente a 5 milhões de desempregados, 10,6% em 2005 e 11,7% em 2007 tendo diminuído drasticamente em 2007 para 7,6%.

O que então aconteceu foi que os impostos foram reduzidos ou isentados para a maioria das empresas alemãs ao mesmo tempo que foram também reduzidos  ou até abolidos os impostos sobre riquezas, as heranças e os lucros, ficando a recolha de impostos originária apenas de rendas, "ter um cão pagava imposto". Desta forma os impostos pagos pelos alemães através dos impostos originários de rendas e licenças supera o total dos impostos pagos pelo total das empresas.

No caso português ainda não chegámos a este ponto, mas pelo que podemos ver e ouvir, para lá caminharemos se os governos responsáveis pelo endividamento do Estado, ou os que vierem, cairem na tentação de ceder à ineficácia comprovada da política neoliberal. Sem uma reflexão profunda (veja-se o exemplo da Alemanha)  apostar sem qualquer espírito crítico  na redução de impostos com vistas à geração de empregos, sob a alegação de que a taxação tributária de grandes empresas estimularia a migração para outros países centrando a culpa na globalização, no mercado e na concorrência. Todavia não estamos a afirmar implicitamente que o aumento desmesurados dos impostos incidindo sobre a classe média feitos pelo actual governo será o caminho certo, antes pelo contrário, as políticas actuais conduzem-nos a uma recessão sem precedentes se com o governo que suceder a este não reduzir forem progressivamente os imposto quando e se a retoma alguma vez se iniciar.

Desta reflexão podemos ver as diferenças ou semelhanças com o caso português, considerando as suas especificidade, aprendendo com os erros de uns e aproveitando boas práticas de outros. Quem nos vier a salvar  do pesadelo da actual situação que nos foi imposta deverá ter isso em conta. 


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