Imagem obtida a partir de http://www.pics-and-docs.blogspot.com
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Se estivermos atentos e reflectirmos sobre o que ouvimos dizer a alguns políticos poderemos constatar que os de esquerda, nomeadamente o PCP e o BE, atacam o partido do governo, o PS neste caso, dizendo que faz políticas de direita, conotando-o e ligando-o à direita com a qual, segundo eles, está em conluio. Pretendem assim criticar um governo que faz políticas de direita. É suposto,portanto, que são contra um governo que ao dizer-se socialista faz políticas de direita. Até aqui tudo bem. Mas quando o PSD ou o CDS/PP sobem nas intenções de voto, avançam com alguma proposta, mesmo que seja de interesse nacional, ou por outros motivos atacam o PS de que lado fica a dita esquerda? Em circunstância de eleições quem atacariam em primeiro lugar? A direita, claro, que é o principal “inimigo” que quer ocupar o poder.
Como é remota a possibilidade de qualquer dos partidos PCP e BE, só ou em conjunto, virem a atingir uma maioria no Parlamento, então, ao terem como objectivo evitar que a direita alcance o poder estão a assumir que é preferível manter o PS, cujas práticas governativas dizem ser de direita. O mesmo seria dizer que preferem no governo uma direita a outra direita já que os de esquerda são eles. Então em que ficamos? Talvez esperar que o PS, se voltar a ganhar as eleições e mudar o governo, traga com ele novas políticas de esquerda. Trará de facto?!
Não nos iludamos, se a direita ganha com ou sem maioria as eleições para a Assembleia da República veremos a esquerda, tacitamente, a alinhar com o PS que para eles, passou a ser esquerda o que era até então de direita.