Apontamentos sobre política, economia, educação, sociedade e outros, com afirmações contraditórias, ou não, a que a razão chega quando se pretende determinar a natureza da sociedade que temos e onde vivemos.
publicado por M. Rodrigues | Domingo, 30 Outubro , 2011, 23:08

Parte I

 

Eis algumas preocupações de portugueses colocadas obre a forma de perguntasa e a que os governantes, políticos, comentadores, politólogos e outros não respondem respondem clara e objetivamente.

São extensas mas vale a pena ler e meditar!

 

1. Já que os juros da dívida soberana sobem em média 22 milhões de euros por dia, que mais medidas de austeridade estão previstas que os governantes não dizem?

2. O que o Dr. Passos Coelho afirmava, antes de ser governo e antes das eleições, era a necessidade de emagrecer as gorduras do estado. Não explicou o seu conceito de “gorduras do Estado” que, com certeza, não era o mesmo para todos os portugueses.

3. Será que os trabalhadores da função pública tiveram a responsabilidade de lhes terem sido abertas as portas para prestar serviço no Estado? E, será que os pensionistas são uns despesistas que têm culpa de terem atingido o limite de idade para o trabalho?

4. Com o aumento cada vez maior da taxa de desemprego prevista, como é que o governo pretende inverter a situação, sabendo-se que a partir dos 40/45 anos quem fica no desemprego sem ser por culpa própria, e que, por mais que se esforce, ninguém o aceita como trabalhador, sabendo-se que entretanto fica sem subsídio? (Não se incluem nesta questão o grupo as pessoas qualificadas que saíram dos governos).

5. Em alguma imprensa foram publicadas afirmações de figuras do PSD, referindo-se possivelmente aos funcionários públicos e aos pensionistas, que “estes não são os nossos constituintes”, quer dizer, “a nossa base de apoio”. Será que foram apenas os eleitores das bases de apoio do PSD e do CDS/PP que os levaram ao poder por maioria absoluta? Por redundância, será que aquelas figuras têm a certeza de que outros eleitores, que não apenas os da sua base de apoio não votaram PSD ou CDS/PP?

6. A pressão sobre apenas alguns grupos sociais e profissionais não será tendenciosa, preconceituosa e agressiva do tipo chauvinismo? Porque não uma taxa extraordinária para o sector privado, que apenas abrangesse parte do subsídio de natal e de férias, e que terminaria também no final de dois anos? Acham de facto que a produtividade baixaria?

7. Será que o governo, quando tomou posse em julho, não deixou derrapar o orçamento de 2011 por não lhe ter prestado a devida atenção e não ter feito um controle?

8. Para a PriceWaterhouseCoopers, “o aumento da carga tributária para 2012, que decorre da limitação das deduções com Saúde, Educação e Habitação, é inferior ao aumento da tributação que decorre da aplicação da sobretaxa extraordinária em 2011”. O Correio da Manhã acrescenta ainda que ”para um casal, no sector privado, com dois filhos, é a partir de um salário bruto de dois mil euros mensais que é possível obter a maior poupança fiscal com as regras que o Governo quer aprovar. Abaixo desse patamar, os contribuintes vão ter a sua fatura fiscal agravada face à situação em vigor”. Poderão explicar-nos a razão para isto?

9. Empresas privadas em dificuldades poderão propor aos trabalhadores, em 2012, o não pagamento dos subsídios de férias e de natal, mantendo-os provisoriamente em atraso, com o pretexto de evitar despedimentos.

10. Como previsto pelo Ministro das Finanças a recessão em 2012 vai agravar-se. Menos consumo, mais desemprego (por consequência mais pagamento de subsídios), possivelmente mais falências, logo, menos impostos a cobrar, possivelmente mais cortes e assim sucessivamente. Não se prevendo o aumento das exportações para cobrir os desvios, devido à recessão na Europa, como irá o governo sair desta situação sem mais austeridade?! Dirão: será para outros mercados que não seja a UE. E até lá? Respondam, p. f. objetivamente e em linguagem que todos entendam, senhores governantes, economistas e fiscalistas.

11. Será que a partir de um círculo vicioso a em que nos encontramos, isto é, dívida, austeridade, recessão/recessão, dívida austeridade a economia vai crescer?

12. Não será obrigação dos responsáveis pelas pastas das finanças e da economia prever alguns cenários macro-ecnómicos partindo de modelos teóricos que considerem as diversas variáveis em presença para se avaliarem possíveis impactos, em vez de se refugiarem em frases como “não faço futurologia!”, “ não se consegue prever o que pode acontecer!”, etc.? Então onde está saber gerir em tempo de crise, de incerteza e de “vacas magras?”

13. Será que todos os governos dos últimos 20 anos, ao não preverem e prevenirem o que poderia acontecer através de sinais e de informação que possuíam, foram todos incompetentes?

14. Gastando mais do que podiam que era evidente conduziriam ao endividamento sucessivo, os governos despesistas (todos da alternância no poder), não fizeram eles o mesmo que as famílias que agora acusam de viver acima das suas possibilidades?

15. Porque é que os governos anteriores não atualizavam os transportes, a energia e a água aos preços próximos dos reais quando ainda não era necessária tanta austeridade e os sacrifícios seriam então menores? 16. O PS afirma que o orçamento para 2012 propõe uma recessão crónica. Seria com projetos megalómanos que nos endividavam ainda mais que nos tiravam da recessão sem agravar a austeridade? Digam-nos objetivamente como e em que “timing”?

17. O que quer dizer o Sr. Primeiro Ministro quando fala em reforma do estado e em alterações na sociedade portuguesa? Que tipo de alterações?

18. O ministro Vitor Gaspar deu a entender que a austeridade agora pedida (leia-se cortes nos salários e pensões) irá dar a volta è economia em 2013. Gostaríamos que nos explicassem como e porquê.

19. A fatura dos juros da divida pública já se encontra em 8000 milhões de euros que é mais do que a despesa com as remunerações. Face a isto o governo encara novas medidas de austeridade? E quando já não houver nada para retirar e para cobrar como irão os portugueses colaborar para a redução do défice?

20. Devido às novas taxas de tributação às empresas não se irá dar o caso de, através de métodos contabilísticos e outras formas, aquelas apresentarem menos lucros para pagarem menos impostos?

21. Governantes, comentadores e economistas têm apontado o dedo ao excessivo endividamento das empresas e das famílias, acima das suas possibilidades. Não terão sido responsáveis os sucessivos governos, consentido no desmando e no facilitismo que a banca oferecia para acesso ao crédito ao consumo de forma aliciante? Estamos numa economia de mercado o Estado não deve intervir. Mas não deveria regular?

22. Porque é que os sucessivos governos não fomentaram a poupança dos cidadãos através de medidas estimulantes?

23. Porque é que a maior parte dos senhores economistas e comentadores, que supomos trabalharem todos no privado, quando são convidados para as televisões, não criticam ou a comentam desfavoravelmente as medidas de austeridade, salvo raras exceções, colocando-se sempre numa perspetiva de apoio às medidas do governo, (como a redução de salários da função pública e de todo o tipo de pensões), defendendo acerrimamente a intocabilidade do privado? (Nota: As justificações e argumentos até agora utilizados não convencem!)

24. Um economista afirmava que: é “um risco a espiral austeridade/recessão. Mas não correr o risco, isto é, falhar em 2012 a meta do défice – não seria um risco, mas uma desgraça garantida.” Certo. E se correndo o risco falharmos na mesma, o que acontece então? O ministro das finanças parece não estar muito convicto da certeza de não falharmos. Não será que perante situações de incerteza se devem prever outros cenários? Ou será que o governo está a navega sem bússola?

 

Algumas fontes:

 

Correio da Manhã de 19/10/2011

Diário de Notícias 18/10/2010 p.6

Semanário Sol

Público

 

 

Contacto: malbe.rodrigues@gmail.com


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