Apontamentos sobre política, economia, educação, sociedade e outros, com afirmações contraditórias, ou não, a que a razão chega quando se pretende determinar a natureza da sociedade que temos e onde vivemos.
publicado por M. Rodrigues | Domingo, 29 Maio , 2011, 21:53

Há momento em que devemos

destacar-nos do clube

Um clube, segundo o  dicionário da Porto Editora, é uma associação criada para ajudar os seus membros na prática de atividades recreativas, desportivas ou culturais ou, ainda, local de reuniões de natureza cultural, política ou recreativa.


A maioria dos cidadãos terão com certeza o seu clube de futebol preferido. A vivência clubista, não raras vezes, dá lugar a rivalidades entre os seus associados,  adeptos e apoiantes, nomeadamente, no que se refere às claques dos principais clubes. Também são frequentes discussões entre pessoas de clubes diferentes quando se coloca em causa o clube que se apoia. Abandonar ou mudar de clube é considerado deslealdade e quem muda de clube é apelidado de "vira casacas". Associados mais exaltados até rasgam o cartão de sócio num momento de exaltação. Apesar de profundo desgosto é desleal aos princípios clubistas mudar de clube, mesmo quando perde um ou vários jogos e deixa de ficar em posição de destaque na classificação.

 

 Vive-se o clube de tal modo que, por vezes, se retiram dias a férias, pede-se dispensa do trabalho ou sacrifica-se algo em troca de uma ida ao estrangeiro para o acompanhar.

Assinam-se canais desportivos de televisão e até canais privados de clubes onde se esmiuçam os jogos até à exaustão, sempre numa perspectiva egocêntrica, para regozijo dos seus associados e adeptos.

  

Por estranho que pareça, na política também existe clubismo. Temos os militantes dos partidos que vivem o partido e lutam por ele em qualquer circunstância, mesmo quando os seus líderes tenha causado os maiores prejuízos, quer ao seu próprio partido, quer ao país quando estão no governo. Identicamente aos associados e adeptos dum clube de futebol também é raro haver  militantes/associados de partidos que deixem de ser militantes  quando ele não ganha eleições ou quando frustra as suas expectativas. A maioria  continua a apoiar o seu partido mesmo em circunstancias adversas.


A política não é apenas feita pelos militantes, nem os governos são eleitos apenas por eles. Em democracia são os cidadãos eleitores, nos quais aqueles também se incluem, que decidem o governo que querem e em que circunstâncias. Mesmo os que não votam decidem pela abstenção que os outros escolham por eles. Na opção do sentido de voto também há clubismo, neste caso, partidário. Podemos estabelecer uma analogia com os clubes de futebol. Quando um cidadão elege um partido que nos vai governar a todos durante quatro anos, a tendência tem vindo a ser "conservadora no sentido do voto", isto é, votar sempre no mesmo partido em que sempre votou. Tal como num clube de futebol está em causa a tendência clubista. Está em causa a consciência de cidadão eleitor que não quer ser  desleal  e "vira casacas" em relação ao partido em que sempre votou, mesmo que  este não tenha cumprido os objectivos para que foi eleito e tenha frustrado todas as expectativas.


Votar num partido que nos vai governar não é o mesmo que ser leal a um clube de futebol em que perder ou ganhar pode dar tristezas ou alegrias, mas não vai modificar a nossa forma de viver, nem melhorar ou piorar o nosso sistema social, nem vai resolver os problemas que o país atravessa. Deste modo, eleger outro "clube" que nos governe, não é ser desleal nem "vira casacas" . É isso a democracia a capacidade de os cidadão poderem, quando assim o entenderem, mudar quem está no poder sem receios de termos a sensação de trair aqueles em quem sempre votámos. No futebol não podemos decidir o resultado de um jogo. Quando muito podemos apoiar o nosso clube para que ganhe, mas o resultado não depende de nós. Em política podemos sempre mudar o resultado quando, para tal, somos chamados.


O clubismo nas eleições padece de um síndrome da direita que, em sentido figurado, é um conjunto de sinais ou características associados a uma situação crítica e causadores de receio ou insegurança. É esta síndrome que alguns partidos exploram até à exaustão, fazendo passar mensagens distorcidas. A direita em Portugal, apesar de alguns erros, nunca fez tão mal ao país  como a esquerda que nos tem governado durante os últimos anos. Por isso há que mudar os dirigentes do clube, isso podemos nós todos fazer sem receio que nos chamem "vira casacas".


publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 22:09

Agora a culpa da crise é dos cidadãos e das famílias que se endividam. Começa a não haver paciência para ouvir alguns comentadores políticos, alguns deles autênticos cata-ventos nas suas análises políticas.

A culpa da crise era a crise internacional, depois passou a ser da oposição, os especuladores eram os culpados, a Alemanha passou a ser a causadora dos nossos males, agora, está na ordem do dia, tentar justificar a crise culpabilizando as famílias que se endividaram para viver acima das suas possibilidades. É possível que para uma minoria seja assim. Muitos dos senhores a quem foram dados os votos para nos governarem, acusam agora os que os elegeram de serem os causadores da crise porque, segundo eles, como nos endividámos muito junto à banca, temos agora que pagar ao estrangeiro o dinheiro que fomos pedindo. Por este diapasão acertam também os seus instrumentos argumentativos muitos dos comentadores de serviço, que mais parecem cata-ventos, quem sabe à procura de uma oportunidade que algum vento lhes traga.

Muitas famílias endividam-se para poderem comprar casa. Mas porque se compra casa e não se aluga? Pois é! Mas qual é o preço do aluguer de uma casa com condições para se viver com dignidade em função dos rendimentos auferidos ? Ou será que não ser teria que pagar o aluguer? Para além de o mercado de aluguer ser quase inexistente, o preço pago por um aluguer de uma habitação da mesma classe de construção e de localização, seria pouco menos ou, em alguns casos mais elevado do que  o pagamento mensal a efectuar a um banco por um financiamento para aquisição de habitação, com a vantagem de que está a pagar para um investimento efectuado a longo prazo.

Por outro lado, dinamizando o mercado de construção para arrendamento, os construtores teriam que se financiar na banca (esta teria de se financiar também no exterior) passando a haver outro tipo de endividamento, pois que o investimento para arrendamento só tem retorno a longo prazo.

Do ponto de vista dos referido senhores os cidadãos portugueses são todos uns perdulários que gastam sem critério e mais do que  produzem. Quem fez as leis que possibilitam que assim seja?

Ou bem que estamos numa economia de mercado, ou bem que se devia socializar tudo até a liberdade de escolha dos cidadãos. Não, a culpa não está no povo, nem nas famílias, nem nas empresas, está em quem nos governou nos últimos anos. Mas, pensando melhor, foi o povo que os elegeu que como tal tem de facto a culpa.


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