Apontamentos sobre política, economia, educação, sociedade e outros, com afirmações contraditórias, ou não, a que a razão chega quando se pretende determinar a natureza da sociedade que temos e onde vivemos.
publicado por M. Rodrigues | Sexta-feira, 20 Maio , 2011, 23:21

Esta ideia parece descabida em contexto democrático. Todavia vale a pena fazer a sua análise. Analisar também é distinguir  e, desde já, devemos distinguir ditadura de democracia. Assim como há diferentes tipos de ditaduras também há diferentes tipos de democracias (as repúblicas populares  de partido único também se intitulam de democracias ), não existindo democracia sem partidos. Mas,  os partidos na sua democracia interna estão sujeitos a pressões dos seus líderes e quem os apoia. Arriscaríamos a afirmar que há ditadores dentro dos partidos que confundem disciplina partidária com unanimidade de pontos de vista, eliminando toda e qualquer oposição interna que lhes seja desfavorável. Sendo a palavra ditadura demasiado forte em contexto democrático poderemos substituí-la por líderes autoritários, obstinados, teimosos e senhores da sua vontade que não ouvem nada nem ninguém, colocando os seus interesses acima  de tudo e de todos. 

A par deste tipo de líderes partidários, os seus apoiantes  silenciam vozes oponentes no interior dos seus partidos. Há várias formas de o fazer de modo a conduzir a uma falsa unanimidade.

As eleições internas e os congressos dos partidos funcionam na maior parte das vezes como "marketing" político. Em alguns partidos , os seus líderes gostariam que, internamente,  funcionassem como comités centrais idênticos a alguns partidos de esquerda mais radicais. Mas, neste contexto,  nem todos os autoritarismos são iguais. Existem diferenças morais e éticas políticas  entre os vários tipos de líderes,  autoritários, algumas delas tão grandes quanto entre ditadores e democratas.  Nem todos são maus e devem ser substituídos. Há os que são benevolentes, sensatos,  autênticos, verdadeiros e dialogantes, aos quais seria insensatez virar as costas.

 

Um bom líder partidário cujo partido queira ser governo, para além de legitimidade formal, deverá ter visão a médio e a longo prazo, não ter previsões e interesses eleitoralistas, mostrar a existência de um contrato social e capacidade para tornar a sociedade mais completa em termos institucionais, sem interferência em instituições privadas ou públicas que não lhe sejam favoráveis, com os objectivos pessoais de perpetuação no poder, não   utilizar o estado e seus recursos para benefício próprio e dos seus apoiantes partidários e para interesses eleitoralistas.

 

Alguns gostariam de ser como alguns ditadores asiáticos que fizeram sair os seus países da pobreza fazendo emergir uma classe média, ao contrários de outros que apostam em a destruir, facilitando uma dicotomia entre os que possuem recursos financeiros e as outras classe cada vez mais proletarizadas.

 

Quando as expectativas são goradas em relação aos seus dirigentes e estes não dão resposta às exigências sociais geram-se protestos que podem assumir formas mais ou menos violentas. O trabalho de um líder esclarecido querendo perpetuar a sua permanência no poder deveria estruturar  hierarquicamente a sociedade de modo a permitir o surgimento ou a continuidade de uma classe média   forte (não confundir com novo riquismo) e a sua transição de um nível para outro sem asfixiar outras classes, normalmente as mais fracas menos reivindicativas e sem capacidade de mobilização, que são sempre as vítimas das reformas preconizadas e achadas como necessárias que apenas atingem fortemente alguns.

 

Encontramo-nos num período de agitação democrática e eleitoral. É altura de tomarmos consciência de que, não é após a realização de eleições quando tudo acalmar, que vamos ter sentimentos de indignação face aos resultados, porque, para vencer autoritarismos de líderes partidários que aparecem agora com roupagem dialogante e esclarecedora não devemos  ficar comodamente à espera que os outros escolham por nós. O direito à indignação passa, também, por votar massivamente, mesmo que seja em branco. Em democracia é através das eleições que podemos eleger  ou destituir líderes obstinados ou autoritários que falham enquanto governantes.


mais sobre mim
Março 2012
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


arquivos
pesquisar neste blog
 
blogs SAPO