Apontamentos sobre política, economia, educação, sociedade e outros, com afirmações contraditórias, ou não, a que a razão chega quando se pretende determinar a natureza da sociedade que temos e onde vivemos.
publicado por M. Rodrigues | Quarta-feira, 01 Junho , 2011, 23:01

 

 

Clarifiquemos em primeiro lugar o conceito de populismo. Neste contexto entendemos por populismo a procura de estabelecer um vínculo emocional, e não  racional com o povo através de um sistema de políticas ou métodos, para aliciar classes sociais de menor poder aquisitivo e da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio, através da simpatia daquelas e pela aproximação aos anseios do povo, mais através dos direitos do que dos deveres.

O populismo tem vindo a ser conotado com a direita e com a extrema-direita. Contudo, veja-se o caso português, onde alguma esquerda não radical utiliza as suas técnicas populistas, como adiante se verá. 

O populista sabe que é necessário "mostrar-se ao povo, comunicando-lhe preconceitos, lugares-comuns, utilizando a sua própria linguagem para o levar a creditar e a criar a impressão de que é ele (o povo) que cria essas ideias. Deste modo, o que o líder faz, diz e pensa é precisamente aquilo que o povo faz, diz e pensa" (Raffaele Simone). Isto é, o povo fica com a impressão de que o líder é como ele, que fala como ele, que pensa como ele.

É vulgar alguns populistas reduzirem questões económicas, sociais e políticas complicadas a chavões banais e slogans, recorrendo sistematicamente à mentira à distorsão da verdade e a números inventados e a dados estatisticamente trabalhados.

Do ponto de vista comunicacional é imprescindível para o populismo inventar "o outro", quer dizer, um culpado por todos os erros cometidos, desdramatizando também os erros que ao próprio populista são apontados. Leva então os recetores da mensagem a acreditar que a responsabilidade, é das oposições, dos especuladores, da comunicação social, indo ao ponto de desacreditar informações veiculadas por organismos internacionais.

O que interessa ao populista é levar o povo a enganar-se a si mesmo e aos poderes económicos e finaceiros a consolidar a sua posição.

Raffaele Simone aponta o populismo como um percursor da extrema-direita e do fascismo independentemente da forma que vier a tomar. Contudo a análise política dos últimos oito anos em Portugal, que vive em democracia efetiva não tenho dúvidas, provou que o populismo também pode vir de alguma esquerda pois o que se verificou, não raras vezes, foi que se manifestou impaciência em relação às  instituições democráticas. E tudo piora, e mais vez cito Raffaela, quando "a arrogânci aque é favorecida por um baixo nível cultural", do povo e até por vezes dos próprios líderes e pela necessidade de estar sempre presente na comunicação social. Não foi por acaso que foram orçamentados para 2011 despesas no valor de 47 milhões de euros para publicidade! Para bom entendedor meia palavra basta!...


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