Apontamentos sobre política, economia, educação, sociedade e outros, com afirmações contraditórias, ou não, a que a razão chega quando se pretende determinar a natureza da sociedade que temos e onde vivemos.
publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 22:04

Durante o longo mandato de Margaret Tatcher à frente da Grã-Bretanha (1979 a 1990)oincidência a OPEP subiu 50% o preço do barril do petróleo face ao ano anterior, após o primeiro choque petrolífero de 1973. Segundo analistas da política e da economia o seu mandato conduziu o país a um descalabro e o povo ao desemprego e à pobreza.  

 

Com as políticas  governamentais que foram tomadas a produção industrial diminuiu trazendo consigo o  incremento do desemprego que aumentou três vezes mais desde que foi eleita.  As falências e o fecho de empresas aumentaram  devido à austeridade ao mesmo tempo que a inflação aumentava, contrariamente ao que inicialmente se pretendia, conduzindo a economia do Reino Unido em 1981 a uma profunda recessão.  As políticas do governo  durante os anos 80 e parte de 90 tenderam a beneficiar os membros mais abastados da sociedade acentuando as privações dos mais desfavorecidos.

O pretexto que servia de justificação as medidas então tomadas eram os factores relacionados com políticas do governo para a revitalização da economia. Os direitos da  "Employement Protection Act", (Lei de Protecção do Emprego), foram reduzidos e paralelamente procedia-se à redução dos salários dos trabalhadores e à privatização da indústria anteriormente nacionalizada.

As teorias que apoiavam as medidas da primeira ministra Tatcher assentavam no princípio da redução da taxa de imposto sobre os rendimentos dos indivíduos e das empresas que seriam factores de crescimento económico que, por sua vez, iriam gerar crescimento económico possibilitando fluxos de financeiros para os mais pobres. A redução de impostos eram vistos como indispensáveis para a promoção de investimentos produtivos, para a criação de mais empregos e mais prosperidade.

Como consequência daquela governação, na década de oitenta, o fosso entre os membros mais ricos e mais pobres da sociedade aumentou de forma drástica. A Grã-Bretanha encontrava-se em segundo lugar  na tabela dos países  industrializados, apresentando entre 1977 e 1990 o crescimento mais profundo de desigualdade económica. Esta situação foi-se alterando para melhor entre 1999 e 2003 de acordo com as estatísticas das desigualdades sociais sobre o trabalho, educação, saúde e rendimentos (http://www.statistics.gov.uk/hub).

 A falha da teoria em que assentava a política da Srª Tatcher foi também sustentada na prática por sete anos de governo na Alemanha em que os sete anos de governo "social-democrata" de Gerhard Schröder entre 1998 e 2005 se caracterizou por ser um período de maior isenção de impostos a grandes empresas, o que conduziu a um aumento do desemprego que chegou  oficialmente a 5 milhões de desempregados, 10,6% em 2005 e 11,7% em 2007 tendo diminuído drasticamente em 2007 para 7,6%.

O que então aconteceu foi que os impostos foram reduzidos ou isentados para a maioria das empresas alemãs ao mesmo tempo que foram também reduzidos  ou até abolidos os impostos sobre riquezas, as heranças e os lucros, ficando a recolha de impostos originária apenas de rendas, "ter um cão pagava imposto". Desta forma os impostos pagos pelos alemães através dos impostos originários de rendas e licenças supera o total dos impostos pagos pelo total das empresas.

No caso português ainda não chegámos a este ponto, mas pelo que podemos ver e ouvir, para lá caminharemos se os governos responsáveis pelo endividamento do Estado, ou os que vierem, cairem na tentação de ceder à ineficácia comprovada da política neoliberal. Sem uma reflexão profunda (veja-se o exemplo da Alemanha)  apostar sem qualquer espírito crítico  na redução de impostos com vistas à geração de empregos, sob a alegação de que a taxação tributária de grandes empresas estimularia a migração para outros países centrando a culpa na globalização, no mercado e na concorrência. Todavia não estamos a afirmar implicitamente que o aumento desmesurados dos impostos incidindo sobre a classe média feitos pelo actual governo será o caminho certo, antes pelo contrário, as políticas actuais conduzem-nos a uma recessão sem precedentes se com o governo que suceder a este não reduzir forem progressivamente os imposto quando e se a retoma alguma vez se iniciar.

Desta reflexão podemos ver as diferenças ou semelhanças com o caso português, considerando as suas especificidade, aprendendo com os erros de uns e aproveitando boas práticas de outros. Quem nos vier a salvar  do pesadelo da actual situação que nos foi imposta deverá ter isso em conta. 


publicado por M. Rodrigues | Segunda-feira, 23 Maio , 2011, 23:09

  

Evitar o "efeito de eco", isto é", a tendência para abusar de informação com a qual tendemos a concordar, faz parte deste projeto. Para se estar bem informado é preciso alargar perspetivas e prestar atenção a fontes de informação que poderão desafiar as nossas crenças.

Mas porquê o nome de antinomia dado a este blogue? Em primeiro lugar é um nome curto e fácil de escrever e memorizar. Em  segundo, porque o conceito antinomia se adequa aos temas a abordar. Antinomia designa o que é aparentemente contraditório, mas que tem sentido. É qualquer conflito entre ideias, proposições, atitudes, etc.. Por exemplo,  oposição entre educação e facilitismao, razão e fé, entre amor e dever, entre moral e economia, entre ética e política, entre capital e trabalho, etc..

Este será um espaço para questionar, reflectir e esclarecer assuntos que muitas vezes, sem darmos por isso, afetam o nosso quotidiano. Sejam quais forem as posições tomadas teremos sempre em mente que não há respostas definitivas e que nada é absoluto mas tudo relativo.   

 

 

 

 

Fonte da imagem: http://lmigueldsm.blogspot.com/


publicado por M. Rodrigues | Sexta-feira, 20 Maio , 2011, 23:21

Esta ideia parece descabida em contexto democrático. Todavia vale a pena fazer a sua análise. Analisar também é distinguir  e, desde já, devemos distinguir ditadura de democracia. Assim como há diferentes tipos de ditaduras também há diferentes tipos de democracias (as repúblicas populares  de partido único também se intitulam de democracias ), não existindo democracia sem partidos. Mas,  os partidos na sua democracia interna estão sujeitos a pressões dos seus líderes e quem os apoia. Arriscaríamos a afirmar que há ditadores dentro dos partidos que confundem disciplina partidária com unanimidade de pontos de vista, eliminando toda e qualquer oposição interna que lhes seja desfavorável. Sendo a palavra ditadura demasiado forte em contexto democrático poderemos substituí-la por líderes autoritários, obstinados, teimosos e senhores da sua vontade que não ouvem nada nem ninguém, colocando os seus interesses acima  de tudo e de todos. 

A par deste tipo de líderes partidários, os seus apoiantes  silenciam vozes oponentes no interior dos seus partidos. Há várias formas de o fazer de modo a conduzir a uma falsa unanimidade.

As eleições internas e os congressos dos partidos funcionam na maior parte das vezes como "marketing" político. Em alguns partidos , os seus líderes gostariam que, internamente,  funcionassem como comités centrais idênticos a alguns partidos de esquerda mais radicais. Mas, neste contexto,  nem todos os autoritarismos são iguais. Existem diferenças morais e éticas políticas  entre os vários tipos de líderes,  autoritários, algumas delas tão grandes quanto entre ditadores e democratas.  Nem todos são maus e devem ser substituídos. Há os que são benevolentes, sensatos,  autênticos, verdadeiros e dialogantes, aos quais seria insensatez virar as costas.

 

Um bom líder partidário cujo partido queira ser governo, para além de legitimidade formal, deverá ter visão a médio e a longo prazo, não ter previsões e interesses eleitoralistas, mostrar a existência de um contrato social e capacidade para tornar a sociedade mais completa em termos institucionais, sem interferência em instituições privadas ou públicas que não lhe sejam favoráveis, com os objectivos pessoais de perpetuação no poder, não   utilizar o estado e seus recursos para benefício próprio e dos seus apoiantes partidários e para interesses eleitoralistas.

 

Alguns gostariam de ser como alguns ditadores asiáticos que fizeram sair os seus países da pobreza fazendo emergir uma classe média, ao contrários de outros que apostam em a destruir, facilitando uma dicotomia entre os que possuem recursos financeiros e as outras classe cada vez mais proletarizadas.

 

Quando as expectativas são goradas em relação aos seus dirigentes e estes não dão resposta às exigências sociais geram-se protestos que podem assumir formas mais ou menos violentas. O trabalho de um líder esclarecido querendo perpetuar a sua permanência no poder deveria estruturar  hierarquicamente a sociedade de modo a permitir o surgimento ou a continuidade de uma classe média   forte (não confundir com novo riquismo) e a sua transição de um nível para outro sem asfixiar outras classes, normalmente as mais fracas menos reivindicativas e sem capacidade de mobilização, que são sempre as vítimas das reformas preconizadas e achadas como necessárias que apenas atingem fortemente alguns.

 

Encontramo-nos num período de agitação democrática e eleitoral. É altura de tomarmos consciência de que, não é após a realização de eleições quando tudo acalmar, que vamos ter sentimentos de indignação face aos resultados, porque, para vencer autoritarismos de líderes partidários que aparecem agora com roupagem dialogante e esclarecedora não devemos  ficar comodamente à espera que os outros escolham por nós. O direito à indignação passa, também, por votar massivamente, mesmo que seja em branco. Em democracia é através das eleições que podemos eleger  ou destituir líderes obstinados ou autoritários que falham enquanto governantes.


publicado por M. Rodrigues | Domingo, 15 Maio , 2011, 22:37

Hoje resolvi pesquisar "sites" com interesse e temáticas diversas. Entre vários encontrei este que me pareceu interessante pela facilidade de consulta e clareza dos conteúdos.

 

É um Directório de links nacional gerido por editores em todo o território portugues. Para quem estiver interessado em pesquisar diversos temas ou saber as últimas notícias.  É um Directório Nacional gerido por uma vasta comunidade de Editores Voluntários e onde pode colocar o seu blogue ou site. Pode aceder em http://www.mundopt.com/


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