Apontamentos sobre política, economia, educação, sociedade e outros, com afirmações contraditórias, ou não, a que a razão chega quando se pretende determinar a natureza da sociedade que temos e onde vivemos.
publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 23:23

 

 

O Cão de Sócrates

 

O Cão de Sócrates de António Ribeiro, pseudónimo do autor, da Editora Esfera dos Livros, é um livro agradável com muito humor à mistura e de fácil leitura. De leitura obrigatória, mesmo para quem disconcorde da orientação que o autor imprimiu à obra. A abertura ao pensamento dos outros, mesmo que não concordemos, também faz parte da democracia.


publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 22:09

Agora a culpa da crise é dos cidadãos e das famílias que se endividam. Começa a não haver paciência para ouvir alguns comentadores políticos, alguns deles autênticos cata-ventos nas suas análises políticas.

A culpa da crise era a crise internacional, depois passou a ser da oposição, os especuladores eram os culpados, a Alemanha passou a ser a causadora dos nossos males, agora, está na ordem do dia, tentar justificar a crise culpabilizando as famílias que se endividaram para viver acima das suas possibilidades. É possível que para uma minoria seja assim. Muitos dos senhores a quem foram dados os votos para nos governarem, acusam agora os que os elegeram de serem os causadores da crise porque, segundo eles, como nos endividámos muito junto à banca, temos agora que pagar ao estrangeiro o dinheiro que fomos pedindo. Por este diapasão acertam também os seus instrumentos argumentativos muitos dos comentadores de serviço, que mais parecem cata-ventos, quem sabe à procura de uma oportunidade que algum vento lhes traga.

Muitas famílias endividam-se para poderem comprar casa. Mas porque se compra casa e não se aluga? Pois é! Mas qual é o preço do aluguer de uma casa com condições para se viver com dignidade em função dos rendimentos auferidos ? Ou será que não ser teria que pagar o aluguer? Para além de o mercado de aluguer ser quase inexistente, o preço pago por um aluguer de uma habitação da mesma classe de construção e de localização, seria pouco menos ou, em alguns casos mais elevado do que  o pagamento mensal a efectuar a um banco por um financiamento para aquisição de habitação, com a vantagem de que está a pagar para um investimento efectuado a longo prazo.

Por outro lado, dinamizando o mercado de construção para arrendamento, os construtores teriam que se financiar na banca (esta teria de se financiar também no exterior) passando a haver outro tipo de endividamento, pois que o investimento para arrendamento só tem retorno a longo prazo.

Do ponto de vista dos referido senhores os cidadãos portugueses são todos uns perdulários que gastam sem critério e mais do que  produzem. Quem fez as leis que possibilitam que assim seja?

Ou bem que estamos numa economia de mercado, ou bem que se devia socializar tudo até a liberdade de escolha dos cidadãos. Não, a culpa não está no povo, nem nas famílias, nem nas empresas, está em quem nos governou nos últimos anos. Mas, pensando melhor, foi o povo que os elegeu que como tal tem de facto a culpa.


publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 22:08

A diferença entre um congresso do partido comunista da ex-União Soviética e o último congresso do Partido Socialista Português é muito ténue. No primeiro não havia oposição interna nem externa, diga-se, mas, caso existisse, seria neutralizada com expulsão ou até prisão. Eram congressos monolíticos e autistas. No segundo caso, as vozes discordantes ou de oposição são boicotadas  por processos mais ou menos sofisticados. Veja-se o caso do militante Rómulo Machado que foi vaiado e que responsabilizou a mesa do congresso por ter colocado a sua intervenção numa hora em que o congresso estava quase vazio, sem a presença de Sócrates e sem atenção dos media. Aliás, este tipo de atitude  é o que tem vindo a presidir no partido socialista e no governo do Sr. Primeiro Ministro José Sócrates. Recorde-se o caso que se passou na Assembleia da República, quando da discussão do PEC IV, quando o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, sai ostensivamente quando Manuela Ferreira Leite ia discursar, (coincidência?) regressando posteriormente, o que revela  uma incapacidade para ouvir vozes críticas.

Mas de que falava afinal o militante socialista Rómulo Machado? Fazia voz do que o cidadão minimamente informado já sabe, como seja, que, apesar da crise internacional, foi José Sócrates que nos colocou nesta situação e  que não será ele que nos vai tirar dela. Por isto foi vaiado pelos poucos que se encontravam presentes, o que veio a ser objecto de notícia no Financial Times, jornal económico com grande credibilidade.

Não seria de admirar  que, à semelhança do que se tem dito para outros casos, alguns dos militantes  e apoiantes deste partido socialista passem a dizer que é um jornal sem credibilidade e que está a mentir.  Aliás, como tem vindo a ser habitual, a culpa é sempre dos outros. Se o FMI cá está a culpa é da oposição, se não estivesse  porque  se colaborou na aprovação do PEC IV, que não nos livraria da situação em que nos encontramos, a culpa era do PSD que tinha também aprovado o PEC IV. Se o Sr. Primeiro ministro José Sócrates tivesse oportuna e antecipadamente pedido ajuda,  como várias vezes foi sugerido, a culpa tinha sido do PSD  que tinha dado o seu apoio. Se analisarmos com cuidado, as posições e falhanços do governo  têm sido sempre a negação de tudo  culpabilizando tudo e todos do que corre mal em Portugal, excepto deles é claro.  Será que todos estão errados e que apenas a "clic" que se apoderou do PS nos últimos sete anos é que tem razão? Tudo isto tem vindo a contribuir para uma descredibilização de Portugal e dos Portugueses através do  últimos governos que delapidaram as finanças públicas. Seria interessante consultar as cerca de 7100 entradas sobre Portugal no Finacial Times, sempre pelas piores razões, como se pode ver em http://search.ft.com/search?queryText=portugal+pensions


publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 22:06

O autismo é "uma alteração comportamental que afecta a capacidade da pessoa comunicar, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente que a rodeia". Este conceito pode, muitas das vezes, com o respetivo ajustamento, ser utilizado em política quando os governantes não apreendem a realidade que os rodeia, vivendo num país que existe apenas na sua cabeça, aliados do país real. 

Apesar de muitas das vezes se aplicar aos nossos políticos, vem isto a propósito do que se passa na Líbia.  

 

"Apesar da Líbia se encontrar ainda em melhor situação do que muitos dos seus vizinhos  do continente africano,o declínio súbito do nível de vida tem alimentado o descontentamento crescente para com o regime de Khadafi (…), um homem de negócios que tem encontros regulares com alguns funcionários  Líbios referiu que «toda a gente com quem falo agora reconhece   o regime não funciona e estão todos fartos». Os  diplomatas referem que a agitação se tornou evidente - nas ruas, nas universidades e, o que é mais significativo, nas fileiras do exército (…) Nestes últimos s eis  meses, houve pelo menos seis motins provocados  pela falta de alimentos , várias manifestações de estudantes…".

 

Esta notícia poderia ter saído hoje em qualquer órgão de comunicação social. Contudo, foi retirada de uma reportagem de Michael Ross sob o título "A Líbia de Khadafi" publicada na  Revista do Semanário "O Jornal" suplemento ao nº 582 de 18 de Abril de 1986 há muito fora de circulação.

O que se passa atualmente na Líbia está há muito latente, não é de agora, apenas foi retomado por contágio de forma mais violenta,  pois esteve contida por uma ditadura opressiva e repressiva.


publicado por M. Rodrigues | Quinta-feira, 26 Maio , 2011, 22:04

Durante o longo mandato de Margaret Tatcher à frente da Grã-Bretanha (1979 a 1990)oincidência a OPEP subiu 50% o preço do barril do petróleo face ao ano anterior, após o primeiro choque petrolífero de 1973. Segundo analistas da política e da economia o seu mandato conduziu o país a um descalabro e o povo ao desemprego e à pobreza.  

 

Com as políticas  governamentais que foram tomadas a produção industrial diminuiu trazendo consigo o  incremento do desemprego que aumentou três vezes mais desde que foi eleita.  As falências e o fecho de empresas aumentaram  devido à austeridade ao mesmo tempo que a inflação aumentava, contrariamente ao que inicialmente se pretendia, conduzindo a economia do Reino Unido em 1981 a uma profunda recessão.  As políticas do governo  durante os anos 80 e parte de 90 tenderam a beneficiar os membros mais abastados da sociedade acentuando as privações dos mais desfavorecidos.

O pretexto que servia de justificação as medidas então tomadas eram os factores relacionados com políticas do governo para a revitalização da economia. Os direitos da  "Employement Protection Act", (Lei de Protecção do Emprego), foram reduzidos e paralelamente procedia-se à redução dos salários dos trabalhadores e à privatização da indústria anteriormente nacionalizada.

As teorias que apoiavam as medidas da primeira ministra Tatcher assentavam no princípio da redução da taxa de imposto sobre os rendimentos dos indivíduos e das empresas que seriam factores de crescimento económico que, por sua vez, iriam gerar crescimento económico possibilitando fluxos de financeiros para os mais pobres. A redução de impostos eram vistos como indispensáveis para a promoção de investimentos produtivos, para a criação de mais empregos e mais prosperidade.

Como consequência daquela governação, na década de oitenta, o fosso entre os membros mais ricos e mais pobres da sociedade aumentou de forma drástica. A Grã-Bretanha encontrava-se em segundo lugar  na tabela dos países  industrializados, apresentando entre 1977 e 1990 o crescimento mais profundo de desigualdade económica. Esta situação foi-se alterando para melhor entre 1999 e 2003 de acordo com as estatísticas das desigualdades sociais sobre o trabalho, educação, saúde e rendimentos (http://www.statistics.gov.uk/hub).

 A falha da teoria em que assentava a política da Srª Tatcher foi também sustentada na prática por sete anos de governo na Alemanha em que os sete anos de governo "social-democrata" de Gerhard Schröder entre 1998 e 2005 se caracterizou por ser um período de maior isenção de impostos a grandes empresas, o que conduziu a um aumento do desemprego que chegou  oficialmente a 5 milhões de desempregados, 10,6% em 2005 e 11,7% em 2007 tendo diminuído drasticamente em 2007 para 7,6%.

O que então aconteceu foi que os impostos foram reduzidos ou isentados para a maioria das empresas alemãs ao mesmo tempo que foram também reduzidos  ou até abolidos os impostos sobre riquezas, as heranças e os lucros, ficando a recolha de impostos originária apenas de rendas, "ter um cão pagava imposto". Desta forma os impostos pagos pelos alemães através dos impostos originários de rendas e licenças supera o total dos impostos pagos pelo total das empresas.

No caso português ainda não chegámos a este ponto, mas pelo que podemos ver e ouvir, para lá caminharemos se os governos responsáveis pelo endividamento do Estado, ou os que vierem, cairem na tentação de ceder à ineficácia comprovada da política neoliberal. Sem uma reflexão profunda (veja-se o exemplo da Alemanha)  apostar sem qualquer espírito crítico  na redução de impostos com vistas à geração de empregos, sob a alegação de que a taxação tributária de grandes empresas estimularia a migração para outros países centrando a culpa na globalização, no mercado e na concorrência. Todavia não estamos a afirmar implicitamente que o aumento desmesurados dos impostos incidindo sobre a classe média feitos pelo actual governo será o caminho certo, antes pelo contrário, as políticas actuais conduzem-nos a uma recessão sem precedentes se com o governo que suceder a este não reduzir forem progressivamente os imposto quando e se a retoma alguma vez se iniciar.

Desta reflexão podemos ver as diferenças ou semelhanças com o caso português, considerando as suas especificidade, aprendendo com os erros de uns e aproveitando boas práticas de outros. Quem nos vier a salvar  do pesadelo da actual situação que nos foi imposta deverá ter isso em conta. 


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